Ainda a transparência

Pode uma caixa em acrílico cristal ser bela em si mesma? Pode um produto em acrílico cristal ser belo? O acrílico cristal ou seja, aquilo a que usualmente se refere como sendo acrílico transparente, não possui, afinal, uma transparência absoluta. Como já tivemos a oportunidade de referir, o acrílico cristal tem uma transparência de 92%. Aliás, a absoluta transparência só se encontra no vácuo! Portanto, o acrílico transparente é, ainda, uma opacidade. Só assim compreendemos que seja percetível à nossa visão. E, efetivamente, é quando a luz encontra uma qualquer opacidade que somos capazes de percecionar o objeto com aqueles sentidos. É esse o sentido da advertência de Goethe quando “(…) chama a atenção para o fato de que a luz, invisível, em estado de difusão ideal, em estado puro, só se torna visível no momento em que se encontra com um corpo opaco, ou seja, quando é refletida ou refratada”.

Sucede, no entanto, que o objeto não se encontra fora de nós, sendo algo que construímos nós próprios. Assim também a luz e a própria natureza. Esta a lição que podemos encontrar em Goethe. É claro que em Merleau-Ponty, para quem os azulejos que se encontram no fundo da piscina se vêm através da água desta, em que a água não é elemento perturbador, mas integrante daquele objeto encontramos a perspetiva que referimos no texto anterior. Ou seja,

“Se não houvesse essas distorções, essas zebruras do sol, se eu visse sem essa carne a geometria dos azulejos então é que deixaria de vê-los como são, onde estão, a saber: mais longe que todo lugar idêntico”

Assim sendo, uma vez percetível, o produto em acrílico pode ser belo. Uma caixa em acrílico cristal pode ser bela em si. A sua relação com os outros objetos não tem que ser necessariamente a da água na piscina!

É que uma caixa de acrílico cristal pode ser um objeto. Não estaremos aqui perante um quase- objeto ou um não objeto. O “não – objeto” deixa-se definir no confronto com o “quase – objeto” e o “objeto”. O “quase-objeto” é uma representação do objeto. E, efetivamente, da “cadeira” temos uma representação intelectual quanto à sua forma e função. Contudo, sucede que estamos perante um “quase- objeto” se estivermos frente a uma “representação do objeto real”. Só estaremos em face de um objeto quando lhe atribuirmos um nome. Aí, a coisa relaciona-se com o sujeito. Passa a ser um objeto pois passa a ter uma função e um significado para o sujeito. Sem o nome é apenas uma coisa.

Nesta perspetiva, uma caixa em acrílico cristal ou qualquer outro produto em acrílico transparente não se distinguem da generalidade dos objetos. Receberá um nome e uma função e, com isso, passará a ser um objeto e não apenas uma coisa.

Em suma, a beleza do produto em acrílico cristal dependerá ainda das suas formas, como poderá depender do seu brilho, da sua luminosidade. Enfim, dependerá de muitos outros fatores, mas aqui não difere de qualquer outro objeto. No essencial, a beleza do produto em acrílico cristal dependerá de nós!

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Paliteiro em Acrílico

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